segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A Praça na Dinamarca



Arquitetos mandaram gramar uma praça na Dinamarca.

Passos apressados marcaram a grama dia após dia.

Eles esperaram...

Esperaram...

Esperaram...

Acharam então os “caminhos naturais”.

Mandaram cimentar esses caminhos.

Se eu morasse na Dinamarca

replantaria a grama toda noite.

Para que as pessoas pudessem escolher um caminho novo a cada dia.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

In Vino Veritas


Às vezes toma tempo para aquilo que existe dentro de nós aflorar. 

Como no vinho o tempo precisa transmutar o açúcar em álcool para que um simples suco de uva possa se transformar em algo mais interessante, isso também acontece com as pessoas.

Uma personalidade, muitas vezes, precisa passar pelos traumas da vida para deixar de ser comum e se tornar formidável. É preciso paciência para poder apreciar o melhor. Pode-se ver isso em diversos lugares.

Mas, para que isso aconteça, dentro daquela pessoa deve existir algo passível de transformação. Assim como não é possível ter álcool sem o açúcar, não é possível ser alguém cativante sem uma essência e conteúdo que assim permitam.

É claro que as pessoas realmente interessadas podem ganhar conhecimento durante a vida, assim como se pode acrescentar açúcar ao suco de uva. Mas se você não tiver na sua mistura o necessário para aproveitá-lo poderá ser um bom vinho, mas nunca um excepcional.

Cuide para que o seu eu seja sempre valoroso  que não fique amargo com as ocorrências da vida. Pois o tempo pode ser cruel e degradar a sua alma. Lembre-se que o melhor vinho pode virar vinagre se não for devidamente cuidado.

Cuide do seu espírito observe o mundo e as pessoas a sua volta. Você vai encontrar personalidades diferentes no seu trajeto e você poderá oferecer coisas diferentes a cada uma delas assim como elas poderão oferecer a você.

Lembre-se de que as pessoas como os vinhos têm diferentes tempos de maturação. 

Tem algumas que são como a uva. Devem ser cuidadas e estão no início. Precisam de suporte. Ajude e as oriente assim como os cachos tiveram a ajuda da parreira para crescer.

Existem as que são como o suco de uva. Ajude-as a amadurecer lembrando que estão em um momento de muita doçura. Valorize essa doçura.

Então temos os vinhos. Ajude nesse processo de aprimoramento natural nessa fase onde atingem o auge e podem trazer alegria, felicidade e alívio para nossa caminhada.

Experimente lembrando-se de que existem tipos mais suaves outros mais secos, e de que é importante harmonizar cada tipo de vinho com o momento e ambiente ideal. Aproveite para degustar com sabedoria.

Finalmente você pode encontrar pessoas na fase do vinagre. Respeite toda a história pela qual ela passou. Afinal ela já esteve em todos os estágios anteriores e carrega, dentro de si, muito. O muito que pode ainda dar tempero especial para sua vida.

Compartilhe a sua vida com os que te cercam. Explore os tipos e combinações sem julgamentos e sem preconceitos.

Independente de se vai sorver aos poucos ou virar tudo de uma vez, fica um último conselho:

Aproveite cada gole!!!!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A medida



Como encontrar a medida que pode exprimir um sentimento?

Qual a dose que separa o doce do meloso?

Como separar o conselho de amigo de uma repreensão aleatória?

Como distinguir entre o gracejo que alegra e a picuinha que entristece.

Para uma questão tão relativa não há uma resposta absoluta.

Seguem aqui algumas dicas:

Somente a experiência permite encontrar uma solução.

Quando um médico se forma ele precisa passar por um aprendizado prático suplementar. Não dá para sair por aí tratando as pessoas sem isso. Precisa aprender quando usar cada tipo de medicamento e diferenciar entre a quantidade que salva e aquela que mata. Lembrando sempre que isso dependendo paciente.

Com o sentimento também é assim. E a sensibilidade é o divisor de águas que permite isso. Como no caso do médico precisa de tempo para ser calibrada.

Em alguns casos está pronta em pouco tempo em outros uma vida não é suficiente.

Como depende do paciente precisamos também levar em conta o outro.

Só olhando o outro podemos acertar a mão. E olhar o outro também depende do momento. Do momento do outro não do seu. É preciso se colocar no lugar do outro o tanto quanto possível. Tanto uma arte quanto um desafio.

Mas é da observação e da tentativa e erro que isso evolui.

Como quando éramos crianças caímos muito antes de andar.

O que não podemos é ficar parados.

A vida pede, implora e exige irmos para frente.

Se tímidos ou ousados isso depende do momento.

Sorte na sua caminhada.



domingo, 26 de outubro de 2014

Prazo de Validade



Queria um amor como aqueles de noticiário. Sabe aqueles em que um casal bem velhinho morre com diferença de horas e que todos dizem como faziam tudo juntos.

Queria um amor assim.

Queria um amor de comercial de margarina. Daqueles em que todos são felizes sempre desde o momento em que acordam até a hora de dormir.

Mas suspeito que esses amores assim só existem nos comerciais de margarina. Na vida real mesmo os amores de margarina ficam rançosos com o tempo. Sabe, eles desgastam, tem prazo de validade.

Os nossos erros e os erros do outro fazem com que isso aconteça. Talvez não hoje, nem mês que vem, nem ano que vem, nem em 20 anos, mas um dia ele atinge o seu prazo de validade.

Se sabemos disso, por que não evitamos?

A resposta é simples: certas coisas na vida precisamos viver. Não dá pra explicar. E se nos explicassem não entenderíamos. É como uma foto de uma noite com luar ou de um por de sol, podemos tirar e mostrar mas não dá pra transmitir o que sentimos quando a vimos do lado da pessoa amada.

Vamos ter que cometer nossos erros e tentar consertar por nós mesmos. A vida é escrita na pedra, não na areia.

Fica a dúvida: qual o prazo de validade dos relacionamentos? 

Mas será que importa?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Koyaanisqatsi - Vida fora de equilíbrio

Koyaanisqatsi é uma palavra na lingua Hopi que significa "vida louca" ou "Vida fora de equilíbrio" e é um documenrário de 1983.

Assisti o documentário e apesar do tempo que passou é incrível que mesmo sem nenhum diálogo ou roteiro ele possa se manter tão atual. Ele continua com as paisagens urbanas e rurais em diversas velocidades combinadas com a música de Phillip Glass falando (na verdade mostrando) um mundo fora de equilíbrio criado por seres humanos.

Uma das razões para que continue atualizado vem do fato de que infelizmente este mundo e a sociedade que o habita continue fora de equilíbrio. Continuamos a utilizar mais recursos do que o meio ambiente pode repor e apesar do conforto material que temos hoje não nos sentimos confortáveis nesse mundo. É como dizia Chaplin: "Criamos a época da velocidade mas nos sentimos presos nela".

Precisamos de um maior controle sobre nossos desejos e a nossa possibilidade de realizá-los. Não adianta nada acabar com o mundo para ter uma televisão nova ou um carro novo. Se todos tiverem um padrão de consumo igual ao da maior economia do mundo não existirá mundo disponível.

Espero que daqui a 27 anos esse filme não faça mais sentido. Que tenhamos atigido o equilíbrio e que a terra seja um local onde a Sìitala ("Vida em equilíbrio" em Hopi) exista.

Até lá.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Norah Jones no Ipiranga

Este foi um fim de semana especial:  teve show da Norah Jones no Museu do Ipiranga.
Os jardins do museu estavam repletos de pessoas assistindo. E a poesia do Jardim foi substituída pela poesia da boa Música e da Simpatia. Música e Simpatia com M e S maiúsculos mesmo.
Norah foi simpática em diversos momentos, alguns estudados e muitos espontâneos.
O público oscilou um pouco pessoas saindo e pessoas chegando mas na maior parte acho que aproveitou bem o show. Como cheguei tarde - uma grande fila de entrada por causa da revista no portão, lamentável que hoje isso seja necessário - aproveitei esse vai e vem para conseguir um lugar melhor nos lugares onde as pessoas saiam.
Como não sabia da revista cheguei em cima da hora. Fica a sugestão de que na entrada tivessem lixos para que as coisas que não podem passar na revista fossem descartadas ao invés de jogadas no chão. Mas se a alma não é pequena até a fila que dava a volta no parque foi um momento legal, foi bom ver o monumento com a bandeira brasileira ao vento, bateu um momento patriótico. 

Um ponto alto foi ver uma fila desse tamanho em completa ordem. É claro que tiveram alguns picaretas que no final tentaram e quem sabe conseguiram furar a fila mas pelo tamanho e a quantidade de gente na fila isso foi uma exceção. A maior parte respeitou.

O domingo terminou com o brilho do sol e uma alma mais leve e mais azul em uma São Paulo cinzenta.
Viva a República!!!